Translate

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (VII)

Por José Manuel d’Oliveira Vieira
1812
-Desde 1811 até final de 1812 esteve em Abrantes o Regimento de Infantaria Nº 13a. 
JANEIRO 6: No oficio nº2, Beresford, refere ao Ministro da Guerra a dispensa 144 Ordenanças que o Juiz de Fora do Redondo menciona na relação, para manufacturarem Saragôças para fardamento dos Batalhoens de Caçadores… porem devo observar a V. Exª, que a esperar-se que se fabriquem as Saragôças, para se vestirem aquelles Corpos, os Soldados sofrerão o frio do Inverno, e isto fará com que se percão muitos deles, e por isso tenho por conveniente que se lance mão do recurso de se fazer aquelle fardamento de pano, cuja côr se aproxime á da Saragôça, e que seja bom. Deos guarde a V. Exª - Quartel General de Abrantes 6 de Janeiro de 1812 – Assina: Beresford11.
-Na mesma data: Conde Trancoso (Beresford) com o seu Quartel-general em Abrantes, no ofício nº 3, solicita que D. Miguel Pereira Forjaz se digne passar ordens ao Arsenal Real para remeter para os depósitos particulares de recrutas dos Batalhões de Caçadores Nº 2 e 5 que se acham estabelecidos na Praça de Abrantes o armamento a seguir descriminado11:  
Batalhão de Caçadores Nº 2 - Espingardas 34, bayonetas 34, boldriés 34, patronas com correas 34, martelinhos 117, sacatrapos 117 e guarda feixos 11711
Batalhão de Caçadores Nº 5 - Espingardas 18, bayonetas 18, boldriés 54, patronas 46, martelinhos 84, sacatrapos 83 e guarda feixos 84*11. 
* Este armamento, segundo a relação do Quartel-general de Calhariz, poderá apenas ter sido transferido para Abrantes a 5 de dezembro.
-Na mesma data: Ofício nº 5 - A partir de Abrantes, onde se encontra com o seu Quartel-general, Beresford reclama a preocupação que é para os Exércitos na Fronteira se tiverem de retroceder por lhes faltar os meios de subsistência por motivo de desordem e não estarem regulamentados os meios de transporte de água e terra (zona de residência dos mesmos), continuando estes meios de transporte em desordem e a fugir11.
JANEIRO 9: Para cobrir a nudez da maior parte dos sentenciados que chega à Praça de Abrantes, são requisitados 300 a 400 vestuários ordinários compostos apenas por 1 (uma) jaqueta, 1 (um) colete, 1 (umas) pantalonas*11
*Pantalonas (calças): Ordem do dia 26 de Setembro de 1809, parágrafo 3º diz: As pantalonas (calças) deverão ser feitas de maneira que sejam abertas nas pernas, e bastante largas, e de maneira que se possam usar por fora das polainas.

Pantalonas
JANEIRO 12: Da cidade Rodrigo chegam noventa Prezioneiros, que ali tinham ficado feridos, doentes destes oitenta e dois forão hontem remetidos pª Lisboa seis entrarão no Hospital e dois morrerã assim que chegarão forão com os ditos mais onze desertores como também oito que shairão do Hospital dos que tinham vindo antecedentemente assim faz a soma de 10111.
JANEIRO 17: Para colmatar a falta de grilhetas destinadas aos sentenciados, já solicitadas ao Arsenal Real em 29 de Novembro último, utilizam-se os meios existentes em Abrantes para o fabrico das mesmas11
JANEIRO 31: Da Cidade Rodrigo, às 5 horas da tarde chegam a esta Praça 1.264 militares (cabos, soldados, anspeçadas) e 57 (oficiais). No Hospital ficaram 54 soldados e morreram 3. No primeiro trânsito marcharam 713 e por não haver barcos suficientes ficaram 605 às ordens do Marechal General Lord Conde do Vimeiro, para embarcarem logo que haja embarcações.
No mesmo oficio, João Lobo Brandão de Almeida, refere ter chegado a esta “Villa” de Abrantes o Governador da Cidade Rodrigo e mais 2 oficiais. 
-Na mesma data: Governador da Praça de Abrantes, Brandão de Almeida refere a D. Miguel Pereira Forjaz que os, sentenciados chegão nus e cobertos de mizeria do que tem resultado adoecerem muitos hirem para os Hospitaes fazerem gasto extraordinário á fazenda e serem inúteis no serviço publico11.
FEVEREIRO 6: Brandão de Almeida, Governador de Abrantes para D. Miguel Pereira Forjaz: Participo a V. Exª, que daqui partirão hoje 588 prizioneiros Francezes, os quais não poderam marchar, athe o prezente por cauza do grande temporal, que houve, e a grande cheia do Tejo: No Hospital doentes de toda a Divizão, que aqui chegou ficarão 91 e tem morrido dos mesmos11
FEVEREIRO 7: As cheias do Rio Tejo em Abrantes tiveram início no dia 29 de Janeiro e fim 6 de Fevereiro. Apenas uma velha amarra de uma das 34 barcas da ponte rebentou. A dimensão da cheia, a altura que a mesma atingiu, em vinte palmos e meio, o número de barcas necessárias se não estivesse concluído o novo Caes de pegoens, seriam necessários 49 barcas, os prejuízos na ponte de Vila Velhão e Punhete, tudo é pormenorizado nesta carta pelo engenheiro Manuel de Sousa Ramos ao Ministro da Guerra D. Miguel Pereira Forjaz11.
FEVEREIRO 23: Apesar das fortes correntes, barcos carregados de cobertores e casacões militares chegam ao Porto de Abrantes, no total de 188 fardos11.
FEVEREIRO 26: Carreteiros (9) e ferrador (1), não militares, enviados pelo Corregedor de Portalegre, destinados para o serviço Britânico, desertaram a caminho de Abrantes11
Nota: Não sendo militares, os carreteiros tornaram-se um instrumento fundamental em tempo de guerra e durante os seus preparativos, peça fundamental em termos logísticos, transportando homens, mantimentos e os mais diversos equipamentos indispensáveis ao funcionamento da máquina de guerra da altura b 
 
1812 – Carro de bois conduzido por “carreteiros”  
Capitão Manuel Isidro da Paz
FEVEREIRO 28: Guimarães apronta o envia para Abrantes 24 indivíduos para servirem no Comboios Ingleses de Carretas na Praça de Abrantes.
No itinerário da marcha consta o início a 28 de Fevereiro e chegada dos carreteiros a esta “Villa” no dia 9 de Março11
MARÇO 1/2/3/4/6/8/9: No álbum de campanha realizado pelo Capitão Manuel Isidro da Paz, durante a Guerra Peninsular, podemos ver em detalhe as marchas diárias, itinerários e três croquis dos reconhecimentos na área de Abrantes. Além de itinerários e croquis o álbum contém desenhos a carvão, tinta, aguadas e aguarela, relativos a paisagens rurais, interiores, vida quotidiana, retratos, esboços, uniformes, pormenores da vida militar vividos pelo Capitão Isidro da Paz durante as campanhasc.
1812 – Croquis Itinerário – zona de Abrantes
Capitão Manuel Isidro da Paz
ABRIL 9:Nesta data e não em 12 de Fevereiro foram mandados apresentar na Praça de Abrantes 24 carreiros do Porto destinados aos bois e carros que se encontravam prontos e com os quais Lord Wellington pretendia fazer transportes para Badajoz. Na carta do Corregedor e Provedor da Comarca do Porto segue relação nominal dos carreiros e itinerário dos mesmos com inicio em “Crejo” até à Praça de Abrantes11
Nota: Indignado pelo não cumprimento da ordem dada em tempo oportuno, Conde de Trancozo (Beresford), em carta enviada no dia 8 de Maio ao Ministro Forjaz, manifesta o pouquíssimo zelo e o deliberado propósito na execução da ordem dada ao Corregedor do Porto, José Dique da Fonseca11
ABRIL 13: Para o “Thelegrafo” de Abrantes é enviada a seguinte mensagem: Participar a Marechal Beresford, q. no dia 11 do corrente vierão huns 5.000 homens de Cavalaria Inimiga a Alpedrinha, Souveriera Formoza, e Fundão saquear
-No mesmo dia: Pelo “Thelegrafo” é mandada enviar para a Abrantes a mensagem: Marechal Beresford ordena que Governador reúna sem demora sua Guarnição, e se ponha no melhor estado de Defesa11. (
1812 - Boletim Thelegrafo
ABRIL 15: Para segurança da Praça de Abrantes no caso de ser atacada pelo inimigo, entram nesta Vila os Regimentos de Cavalaria Nºs 5,8 e 9, Milícias de Santarém e Tomar. As poucas armas em depósito e doentes do Hospital foram distribuídas a alguns militares dos Regimentos de Cavalaria que tinham ficado nesta Praça. Nesta carta, o Governador da Praça de Abrantes refere a D. Miguel Pereia Forjaz: eu estou prevenido e toda esta Guarnição, disposta a dar o ultimo suspiro, pella Croa do Nosso Legitimo Suberano, e defendendo este ponto, contribuir para a segurança da nossa Patria…11 
ABRIL 27: Por ordem do Marechal Conde de Trancoso, Governador da Praça de Abrantes, por telégrafo faz passar aviso a D. Miguel Pereira Forjaz, para que os Fardamentos que se mandarão vir para Abrantes para os Batalhoens Nºs 4, e 5, se demorem em Lisboa, e no cazo de virem já pello Tejo para que voltel lgº para Lx.a  11.
MAIO 21: Fardamentos destinados ao Batalhão de Caçadores Nº 7 e 8, enviados a Nisa por barco, foram roubados pelos barqueiros. Já com os barqueiros presos em Abrantes, Beresford dá ordem para os transportes levarem escolta militar e responsabilizar barqueiros (ver JUNHO 5) 11.
MAIO 4: O Governador da Praça comunica ao Ministro da Guerra que as ordens expedidas pelo Arsenal Real do Exército no dia 27 de Março para serem remetidas à Praça de Abrantes 300 camisas, igual número de barretes de polícia e pares de sapatos não se realizou. Insatisfeito por não chegar à Vila de Abrantes o material solicitado, Brandão de Almeida, refere ainda na mesma carta: Rogo a V. Exª estes objectos, pois que a falta deles, contribuem muito para aumentar a mizeria, e desgraça destes infelizes, os quaeschegando já ao numero de quatro centos cinquenta (450), e tantos, e destes cento e tantos, se achão no Hospital, e isto certamente mutivado pello frio que sofrem,  pella falta  dos Objectos assima declarados, como de coberturas, e Camas: e como diariamente estão a chegar  mais destes indevido-os, já não há grilhetas; portanto, igualmente Rogo a V. Exª , queira dar as suas ordens, para que sejam remetidas com a menos demora possível mais cem (100) grilhetas*11.
*Corrente com duas argolas de ferro que cingem as pernas dos condenados a trabalhos públicos.
MAIO 16: O correio de “Postas” entre Monforte e Abrantes continua estabelecido com 6 pontos de muda (Monforte/Portalegre/Alagôa/Toloza/Gavião/Abrantes). Para o efeito são utilizados 25 mossos e 25 égoas11
Nota: Sobre o correio de “Postas” ver “ABRANTES MILITAR V - Correio do Reino 1808/1817”, artigo de José Manuel d’Oliveira Vieira, publicado neste “BLOG”, no mês de Agosto de 2016:
MAIO 20: Regimentos Nº 3 e 15 e um Batalhão de Caçadores dirigem-se a Abrantes para receber fardamento e recebe ordem para “Pagador” de Abrantes lhes pague o “Prets” 11
-Do mapa das Milicias que se achão em Armas (20MAI) ocupam posição na Praça de Abrantes: 1 (um) Batalhão do Regimento de Santarém com 535 milícias e 1 (um) Batalhão do Regimento de Tomar com 486 milícias11
MAIO 28/30: Continuam as comunicações telegráficas Lisboa/Abrantes11. Como nem tudo pode ser explicado por Telégrafo o Governador da Praça de Abrantes envia ao Ministro da Guerra cópia da correspondência recebida11
JUNHO 1:Governador da Praça de Abrantes, Lobo Brandão para o Ministro da Guerra Pereira Forjaz: Sendo Abrantes, hum ponto sentral, que comunica pª todos os pontos do Reino, principalmente pelo motivo das poziçoens que actualmente ocupão os nossos Exercitos nas fronteiras me parece seria útil, que aqui houvesse hum Depózito de sentenciados de toda a espécie, como igualmente de ferramentas, visto a todo o momento serem requeridas, e a distancia Do Arsenal Real de Lisboa ser longa … como também sendo icencial tratar da limpeza desta Praça, e como esta so se pode fazer nas actuaes circunstancias Militarmente; para isto mesmo são necessárias ferramentas, e não se tratando deste objecto como se deve pode resultar grande prejuízo, a saúde dos habitantes, e da Tropa… 
JUNHO 5: Para execução do “AVIZO” que lhe foi dirigido, Bernardo Gorjão Henriques, juiz de fora de Abrantes envia ao Ministro da Guerra, Pereira Forjaz, a investigação do roubo cometido pelos barqueiros11
1812 - Bernardo Gorjão Henriques da Cunha
Juiz de Fora de Abrantes
JUNHO 15:Major José Francisco António Dias recebe do Engenheiro das Pontes Militares de Abrantes, Manuel de Sousa Ramos a Direcção da Comissão e todo o expediente, por lhe ter sido intimidada voz de prisão para responder em Concelho de Guerra11
SETEMBRO 30: Pelo Arsenal Real das Obras Militares ficamos a saber que se achão 209 Calcetas metidos em huma Caza do Convento das Freiras da Esperança, q. apenas poderá accomodar 100; e 220 em huma pequena Igreja de Lage dedicada a S. Francisco no Reducto de Stº António, e sem Tarimbas: para melhorar a ccommodação dos Calcetas*, e evitar moléstias, q. se vão propagando, propõe q. se faça uso de hum grande armazém, q. há no dito Convento da Esperança, q. por este Real Arsenal se concertou o anno passado, e se arranjou para servir de Depozito de Recrutas, o qual hé muito vantajoso pela segurança: presentemente pode ser mudado para a Igreja da Mizericordia. Este Armazem e a Igreja de S. Francisco tem capacidade para alojarem comodamente todos os prezos[…]Nesta carta fica-se ainda a saber que Brandão de Almeida não quer ceder Calcetas para os pinhais da Camara e que os mesmos fazem falta para a obra do muro do Hospital Militar…11 (AHM-DIV-1-14-097-37_m0003/4/5)
*Sentenciados obrigados no calçamento de vias eram chamados de “calcetas”.
ORÇAMENTO DAS OBRAS
-Igreja de S. Francisco (Reduto de Stº António) para presos de grilhetas: tarimbas, tapar uma porta de pedra e cal para segurança dos presos, concerto do telhado da mesma Igreja – 180#000
-Convento da Esperança: Vigas e assoalhar a casa que dá entrada para o Quartel onde estão os presos, concertos no coro de baixo que se acha cheio de cevada, pedraria e grade de ferro para uma janela do dito coro, tudo preciso para segurança dos presos11. 
 
OUTUBRO 15: Caetano António de Almeida, Coronel Governador da Praça de Abrantes, chama o Assistente de Deputado José Simões de Carvalho, o qual lhe assegura não haver inconveniente em se remover o grão que está no armazém da Esperança para a Igreja da Misericórdia11
OUTUBRO 20: Frei Vicente Ferreira (ou Ferrer) da Rocha, Bispo de Castelo Branco (1782-1814) sobre as Igrejas de Abrantes: Aquellas Igrejas, que servem de Freguezias, e que não tenhão Sacrario a onde esteja o Santissimo Sacramento…, retiradas as imagens, podem servir de depósito de munições… nesta figura considero a Igreja da Misericórdia, podendo ser socorridos os infermos do hospital da dita casa, da Freguesia de S. João, q.lhe he próxima…11
OUTUBRO 30: Caetano António de Almeida, governador interino da Praça de Abrantes, informa o Ministro da Guerra sobre o número de presos necessários para as obras dos quarteis de Abrantes e todos os restantes destinados à fortificação da Praça11. (AHM/DIV/1/14/098/40m0001).
DEZEMBRO 20: Aviso remetido às autoridades de Santarém, para que no início de Janeiro de 1813, todas as barcas da Chamusca, Barquinha, Punhete e Abrantes, ficam ao serviço do Exército Português. A não obediência a este aviso aplica-se pena de prisão11 (ver no próximo mês: JANEIRO 1813)
11AHM
a Verbetes cedidos pelo proprietário e digitalizados para a realização de “Abrantes Militar”, que foram pertença Dr Diogo Oleiro.
b (A “BANDA D’ALÉM” E A CIDADE DE LISBOA DURANTE O ANTIGO REGIME: UMA MPERPECTIVA DE HISTÓRIA ECONÓMICA REGIONAL COMPARADA - Ventura, António Gonçalves – Doutoramento em História Especialidade: História Moderna 2007).
c Arquivo Nacional Torre do Tombo - PT/TT/CF/0212.

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (VI)

Rio Tejo - Ponte Militar de Abrantes (Manuel Sousa Ramos) 
Por José Manuel d’Oliveira Vieira
1811
JANEIRO (durante todo o mês): Observações, condutas de guerra, depoimentos de prisioneiros e desertores franceses, paisanos e espias que seguem movimentos do inimigo chegam ao Governador da Praça de Abrantes e este remete informações a D. Miguel Pereira Forjaz11.
-Víveres e bens necessários para o hospital de Abrantes continua a ser uma preocupação do Governador de Abrantes11
JANEIRO 20: Dizem os Franceses estar Abrantes ocupada por dois Regimentos de linha e três de Milícias Portuguesas, comandadas por um oficial português. A guarnição tem falta de víveres e tem havido muitas deserções nas Milícias.
Nota - A Gazeta extraordinária Rio de Janeiro Nº 13 de 27 Junho 1811 refere: Não he verdade ter havido grande deserção nas Milícias que guarnecião Abrantes; antes disso, e todas as Milicias em geral, como era a primeira campanha qua fazião, e em que padecião os incómodos e privações a que não estavão costumados, soffrerão bastante deserção: não se infira disso que fugirão para o inimigo: nem hum só seguio tal caminho; vierão para suas casas, ou de parente, ou dos seus parentes…(Gazeta Ext Nº 13 Rio Janeiro)
JANEIRO 24/25: Responsável pelo Hospital de Abrantes solicita ao Ajudante General Mozinho, apoio em víveres, utensílios e o aumento da mesada, para fazer face às novas obras e “despesas, em alteração dos muitos doentes” que recebia….11
JANEIRO 25: Governador da Praça de Abrantes, João Lobo Brandão de Almeida recebe do 1º Médico do grande Hospital Militar de Abrantes uma extensa requisição de material necessário ao seu funcionamento:
No mesmo ofício em que o Governador da Praça envia a relação a D. Miguel Pereira Forjaz, o mesmo põe em causa a existência da Guarnição de Abrantes, se o Marchante não fornecer carne fresca todos os dias (ver VEVEREIRO 8) 11
-Na mesma data, Capitão Patton oficia o Marechal Beresford para que este o autorize deitar abaixo as casas que se acham do lado esquerdo das Ruas da Barca (ver FEVEREIRO 7).
-Para segurança da Praça e por não ter confiança nos empregados dos correios e má-fé com todos aqueles que o público chama de Christãos Novos, o Coronel e Governador da Praça de Abrantes, João Lobo Brandão de Almeida quer remover dos seus empregos e afasta-los da Vila de Abrantes11
JANEIRO 26: Cartas e depoimento de um prisioneiro Francês que chega ao Governo desta Praça é enviado a D. Miguel Perei Forjaz11.
JANEIRO 31: Beresford informa D. Miguel Pereira Forjaz dos problemas que ocorreram com o transporte de 2.000 barricas de farinha, enviadas pela intendência de víveres para o porto de Abrantes de forma a abastecer diferentes unidades do exército português a actuar na região. Segundo ele, essa intendência, “não combinou coisa alguma sobre os meios de transporte” havendo falta de carros, para fazer o transporte deste género, para as unidades que dele tanto precisavam25.
-Batalhão de Caçadores nº 5 sob o comando do Tenente-coronel Miguel M'Creagh, incumbido de vigiar e proteger a passagem na ponte de barcas de Abrantes ocupa a povoação do Rocio ao Sul de Abrantes, até Dezembro25.
FEVEREIRO (durante todo o mês): Praça de Abrantes é o ponto central onde chegam informações sobre movimentos inimigos - depoimentos de desertores franceses, paisanos, perdas e feridos em combate entre outros assuntos, enviadas de imediato pelo Governador da Praça de Abrantes a D. Miguel Pereira Forjaz e Beresford11
FEVEREIRO 5: Beresford dá indicação a D. Miguel Pereira Forjaz do numero de homens e cavallos, e com o tempo, para que se devem meter mantimentos nas Praças e Fortalezas…11:
-Beresford desloca-se do seu Quartel-general da Chamusca à Praça de Abrantes para ver o estado em que se encontram as fortificações, mas com o principal objecto de ver as condições dos hospitais e comunica ao Governo que tanto o Coronel João Lobo Brandão, como os empregados dos referidos hospitais, apesar dos poucos meios e dinheiro, são dignos dos maiores elogios. O Tenente Coronel do Regimento de Infantaria Nº13 D. Joaquim da Camara, que não obstante a sua débil saúde é elogiado por Beresford por se ter oferecido voluntariamente a servir de Enfermeiro Mor nos hospitais11
FEVEREIRO 7: Engenheiro Manuel de Sousa Ramos, do Real Corpo dos Engenheiros, dá conta a António Lemos Pereira de Lacerda sobre os vencimentos e despesas da fortificação de Abrantes11
-Por se encontrarem em hum angulo das Fortificaçoens de Abrantes, na parte exterior do seu recinto, as quaes muito embaração a sua defensa, pois que se o inimigo ali chegasse a estabelecer poderia trabalhar a coberto contra a Praça e ser isto a origem de ella se perder…, Beresford manda arrasar 13 casas da Rua da Barca do Alsapão para baixo, avaliadas em 900#000 reis. Na mesma Rua do Alsapão para Cima, constam mais 17 casas que seria bom demoli-las, avaliadas em 1:950#000 reis.
Nota: A relação das casas avaliadas tem a data de 4 de Fevereiro e a carta de Beresford a Forjaz de Almeida, ministro e secretário de Estado dos Negócios da Guerra, tem a data de 7 de Fevereiro 11
FEVEREIRO 8: João Lobo Brandão de Almeida, Governador da Praça de Abrantes participa a Beresford e a D. Miguel Pereira Forjaz que o Almoxarife do Hospital de Abrantes o informou de que o “Marchante” não pode continuar a dar carne para os doentes sem se lhe pagar o que se deve11
Nota: Marechal Beresford lembra D. Miguel Pereira Forjaz que o consumo de carne muito diminuiria as moléstias da Guarnição, e se pouparião em consequência as despesas dos hospitais11
FEVEREIRO 9: Marechal Beresford, Comandante em Chefe, informa D. Miguel Pereira Forjaz que, para evitar inconvenientes se deve dirigir sempre a ele em todos os assuntos militares por ter conhecimento da nomeação de dois Alferes Milicianos para a cobrança da “décima” e do 1º Tenente do Real Corpo de Engenheiros Raimundo José da Silva Peres de Milão, ter sido encarregado de examinar e tomar conta das barcas e utensílios do Depósito de Abrantes11. 
FEVEREIRO 12/20: A partir de Abrantes o Capitão Inglês do 2º Regimento Robert Ray, informa o Coronel d’Urban  do Quartel Mestre General do Exército – Chamusca os movimentos dos franceses11.
Nota: Em cinco documentos em Inglês sobre operações militares, Rober Ray refere o que se passa no Sardoal, Mação e Belver.
FEVEREIRO 20/22: Homens do Mar (empregados na ponte de Abrantes) queixam-se de não receberem há 13 semanas e assim verem gemer as suas pobres famílias11
-Um outro documento com data de 27 Fevereiro de Manuel Sousa Ramos a D. Miguel e refere como causa destes incidentes o Mestre da Ponte Luis José das Neves11
FEVEREIRO 22: Corregedores de Avis e Évora demonstram a Beresford a impossibilidade que tem em enviar provisões de Santa Marta para a Vila de Abrantes, porque muitos transportes das suas Comarcas andão empregados no serviço dos Exércitos e por ordem do governo os mesmos se encontram em pôr a salvo da invasão dos inimigos as provisões e géneros dos particulares…11
FEVEREIRO 26: Sem ser acompanhada por arroz a Praça de Abrantes recebe 584 alqueires de farinha (200 barricas). Beresford refere este incidente a D. Miguel Pereira Forjaz11
MARÇO 2: Depoimento do paisano João Nunes que esteve cerca de 5 meses como criado do Coronel Francês que comandava o Regimento 66 em Montalvo é enviado pelo Governador da Praça de Abrantes a D. Miguel Pereira Forjaz. Na mesma carta é referido se observarem em Montalvo franceses (de calça branca), em acto de inspecção11
MARÇO 5: Ás 5 horas da manhã, 70 soldados da Praça de Abrantes, exercitados em Caçadores comandados pelo Alferes Luiz José Cabral, e Francisco de Paula Salema, e José Maria Salema, atacarão o Ponto da Amoreira, e com mtª coragem, e de Sorte, desalojarão os Franceses que ali estavam…11   
MARÇO 7: À Praça de Abrantes chegam:
Toda a força mandada pelo General William Stewart, chegou a esta Praça às 5 da tarde. Unida aos de Abrantes totaliza 5.500 homens. Às 2 da madrugada tiveram ordem de marcha, tomando duas estradas a de Medroa e Montalvo. As forças de William Stewart e Brandão de Almeida fizeram alto na planície de Rio de Moinhos…. Pouco depois de chegarem a Punhete e terem presenciado toda a devastação feita pelos franceses, chega o Marechal Beresford, e logo entrarão a vir os barcos, pertencentes à Ponte pª pacçar toda a Divizão Comandada pelo General Stewart, q. com efeito paçou seguindo pª Tomar11
General William Stewart
MARÇO 10: Brandão de Almeida mantem o Tenente António Pereira de Castro a vigiar os movimentos do Inimigo11. 
MARÇO 13: António José da Cunha Salgado, 2º Tenente do Real Corpo de Engenheiros propõe ao Governador da Praça de Abrantes, João Lobo Brandão, um novo método telegráfico de comunicações entre a Brigada de Cavalaria do Brigadeiro Otoway e Abrantes11. (
Brigadeiro Otoway
-Ciera, inventor do Telégrafo de Palhetas, instalado no Castelo de Abrantes, desconfia que  a proposta do Tenente Salgado seja mais uma daquelas invenções que apenas são boas no papel e não na prática11
MARÇO 14: Tenente Coronel Gil de Almeida Sousa e Sá a D. Miguel Pereira Forjaz: Lembro A V. Exª que ao Regimento de Millicias de Soure que tenho a honra de Comandar faltão, 108 Traçados e 216 boldriés dos mesmos e 16 ditos para baionetas, 800 Bandoleiras para Espingardas 535 Martelinhos, 535 Sacatrapos, 1035 Guarda Fechos duas Caixas de Guerra dois boldriés e quatro vaquets para as mesmas Caixas, 2124 Garupas para Mantas ou ao menos 1400 correspondentes a 700 Mantas que V. Exª já mandou receber11.
MARÇO 20: Engenheiro Manuel de Souza Ramos informa Marechal Beresford ter recebido ordem de S.A.R., para ir estabelecer no Rio Zezere huma Ponte, fazendo depois remover para Abrantes a que se acha em Tancos… e se desmanchem as pontes que ultimamente se construíram na margem esquerda do Tejo11. 
MARÇO 23: Apesar das dificuldades, a Praça de Abrantes continua a ser abastecida pela Administração da Corte. Bolachas, carne, arroz, bacalhau, farinha d’América, milho e cevada, são os géneros que chegam através da linha de reabastecimentos do Sabugal11
MARÇO 28: A partir de Abrantes, José Guedes de Magalhães, informa o seu primo, D. Miguel Forjaz, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Guerra de que o armamento irá para a Corte e daí, sairá embarcado para o Porto onde pelo Douro vai com a maior comodidade11. 
-Manuel José Raposo de Carvalho, encarregado da “Posta Militar” estabelecida na margem Sul do Tejo (Rocio de Abrantes), informa o Governador da Praça de Abrantes, José Lobo Brandão de Almeida que a “parelha de cavalgaduras”, levadas por Aquino Marques do correio de Tomar, fora restituída incapaz de fazerem o serviço desta “Posta pelo “Postilhão”11.
 Exemplo de Postilhão e cavalgadura
Posta - Estação de cavalos, colocada de distância a distância para serviço dos viajantes: cavalos de posta. Estação para muda de parelhas de tiro, de diligências e outros veiculos, ou para serviço dos viandantes: descansar na posta; apearem-se na posta para almoçar. 
Postilhão – Condutor no serviço da posta. Homem empregado no serviço do correio, para transportar a cavalo e com rapidez, correspondência ou noticias entre várias localidades. 
Nota: CORREIO DO REINO – POSTA DE ABRANTES 1808/1817 ver “COISAS D’ABRANTES” em:  https://coisasdeabrantes.blogspot.pt/2016/08/abrantes-correio-do-reino.html
MARÇO 31: Neste dia a Feitoria da Praça de Abrantes possui os seguintes géneros (ver mapa)11
MARÇO 29: Engenheiro Manuel de Sousa Ramos pede ao Governador da Praça de Abrantes madeiras e ferragens deixadas pelos Franceses nas margens do Zêzere sejam conduzidas para Abrantes11
ABRIL 2: Noticias que chegam a Abrantes sobre informações militares, pessoal, feridos, mortos e prisioneiros de guerra, retirada do inimigo para fora do Reino, são de imediato transmitidas por João Lobo Brandão de Almeida ao ministro e secretário de Estado dos Negócios da Guerra11
ABRIL 8: Com as barcas enviadas pelo Almirante Berkley e barcas dos Franceses que eles destruirão fica estabelecida a Ponte volante do Zezere em Punhete e Manuel de Sousa Ramos recebe ordem de S.A.R. para construir outra ponte volante em Vila Velha11
ABRIL 11: Coronel João Lobo Brandão de Almeida remete ao Ministro do Exército uma extensa relação (três folhas), dos objectos que os franceses deixaram e foram retirados do Zêzere (Vila de Punhete), até ao dia 6 de Abril11.
NOTA: Chumbo, ferro e mais objectos, não necessário à Praça de Abrantes, a enviar ao Arsenal Real do Exército passa das 600 arrobas11.
ABRIL 15: Governador da Praça, João Lobo Brandão envia ao Ajudante de Beresford, Manuel Brito de Mozinho, relação das despesas feitas na Praça de Abrantes…11
Nota: De referir nesta relação as quantias pagas com os espiões na observação do inimigo. 
ABRIL 24: Manuel de Sousa Ramos requisita materiais para as pontes militares de Abrantes, Punhete e Vila Velha11
MAIO 12: Devido a queixas dos proprietários dos olivais, Governado da Praça, Brandão de Almeida faz saber a toda a Guarnição: “Ordem do Dia” - De hoje em diante the Nova Ordem  individuo alguma desta guarnição poderá cortar oliveiras…11 (ver justificação em JUNHO 4)
MAIO 17: D. Miguel Pereira Forjaz lembra Guilherme Carr Beresford da necessidade de transportar munições para a Praça de Abrantes11. 
MAIO 20: Por terra e por via fluvial, Depósitos da Praça de Abrantes e Rocio ao Sul do Tejo continuam a ser abastecidos com regularidade11.
MAIO 22: António Luis Ferreira Leitão pede ao Ministro da Guerra urgência na requisição de fardamento para as praças da sua Companhia11. 
JUNHO 4: Governador da Praça, Coronel João Lobo Brandão, justifica a D. Miguel Pereira Forjaz que os cortes nas oliveiras para aquecer os fornos, pelos militares, foram autorizados pelo Marechal Beresford quando aqui esteve no dia 29 de Fevereiro passado11
Nota: Em ofício de 26 de Janeiro, o Marechal Brigadeiro Benjamim d’Urban, do Quartel Mestre General, informa Governador da Praça: … deseja o Lord Marechal Beresford q’ Vª Sª fassa cortar todas as oliveiras indicadas pelo Engenheiro (!...) chefe, sem menor distinção, particularmente (!...), entre a Villa, e o Tejo para a Ponte11. 
JUNHO 6 a 30: Géneros remetidos da Administração de Alcântara para a Praça de Abrantes11:
AHM
JUNHO 13: D. Miguel expede ordens para Beresford municiar o pequeno depósito de recrutas e instrutores mandados reunir na Praça de Abrantes e mandar fazer o reabastecimento de víveres para os mesmos11.
JUNHO 15: Telégrafo de Abrantes está activo. Governo da Praça recebe e envia mensagens sobre espanhóis e barcas inglesas11.
JUNHO 18: D. Miguel Pereira Forjaz comunica pelo Telegrafo com o Governo de Abrantes para ser enviado para a Praça de Elvas os dois carros e a barca Espanhola que se encontram nesta Praça. D. Miguel comunica a Beresford que o Governador da Praça não tem meios alguns para fazer semelhante condução11.
JUNHO 20: O aprovisionamento dos Armazéns de Abrantes, recomendado por D. Miguel Pereira Forjaz é dificultado por falta se achar barcos chatos pelo grande número que ocupa o Commissariado Britânico…11
JUNHO 23:Para fazer obras necessárias nos paióis e fortificação, mandado por Beresford, chega a esta Praça um Engenheiro Britânico11.
JULHO 5: Apesar de grandes movimentações militares, os depósitos de géneros de Abrantes e do Rocio de Abrantes, possuem reservas de pão/ferragens e géneros de “etapa”11
Nota: As rações eram compostas de: ração de pão (pão e biscoito), ração de etápe (carne, sal, legumes, azeite, bacalhau, batatas, arroz e toucinho), ração de vinho (vinho e aguardente), ração de forragens (grão e palha) e ração de lenha11. Cf. Regulamento de 1811, art.º XVI.
JULHO 14: Em resposta ao Oficio Nº 453 de Guilherme Carr Beresford, Palácio do Governo (Lisboa) expede ordens ao Arsenal Real do Exército para se remetterem para Abrantes cinco mil (5.000) pares de Çapatos11
JULHO 15:  Domingos José Cardoso, desembargador-comissário e intendente geral dos Víveres, recebe ordens para se activarem as remessas para … e Abrantes11. 
JULHO 17: D. Miguel Pereira Forjaz faz saber a Beresford ser necessário determinar a despesa mensal com os trabalhos na Praça de Abrantes. No mesmo ofício é solicitado que o Capitão Pedro Patton apresente documentos referente a 1.690#000 rs que recebeu  em metal para as Fortificações da Praça de Abrantes desde 20 de Outubro (1810) a 6 de Janeiro (1811) 11. 
JULHO 30: Nesta data publica-se em “Ordem do dia o Plano de Uniformes dos 12 Batalhões de Beresford” 11.
Nota: A figura do soldado com o uniforme de Caçadores de 1811 e o esboço do equipamento, reproduzidos neste trabalho foram retirados do manuscrito do Tenente Coronel de Caçadores Nº 6, Manuel Vaz Pinto Guedes, a “História dos Uniformes do Exército Português – Caçadores 1811 – Organização de Beresford”11
AGOSTO 10: Com o Oficio Nº 541, Guilherme Carr Beresford informa D. Miguel Pereira Forja estar preocupado com a diminuição dos géneros destinados às reservas da Praça de Abrantes11
-Na mesma data, por AVIZO de 19 de Outubro de 1810, Brigadeiro Governador da Praça de Abrantes passa a receber da Pagadoria de Abrantes a quantia mensal de hum conto de reis  e justifica por documentos a quantia de 1:296#000 entregue ao Comissario de Viveres para a Guarnição referente à compra de generos, no tempo em que a dita Praça esteve com o inimigo a vista11
Nota: De Abril a Agosto Brandão de Almeida pagou serviços de transportes e condução de barcos por terra e outros efeitos para a Ponte do Guadiana.
AGOSTO 22: Após denuncia do Governo Espanhol a D. Miguel Pereira Forjaz, este manda dar baixa do Real Serviço o Espanhol Manuel Amado que se encontra na 1ª Companhia de Granadeiros do Regimento Nº 22 que fora preso em Lisboa e mandado para a Praça de Abrantes11.
Nota: Na carta enviada de Espanha ao Ministro da Guerra de Portugal, é referido o Soldado pertencer à força “Voluntária das Guardias Espanholas”.
AGOSTO 23: A partir de Abrantes o Comissário Geral do Exército, Domingos Manuel Annes Coutinho, informa o Intendente Geral de Viveres ter saído da Praça de Abrantes duas Brigadas de Cavalgaduras, huma com 912 alqueires de cevada em direitura de Castello Branco, e o Cabo com ordem de continuar jornada até Poço Velho, onde se acha a Cavallaria 5 e 8, outra com 121 arrobas, e 15 arreteis de Bolacha, e 112 alqueires de cevada…11   
AGOSTO 24/31: Trinta e nove (39) barcos ao serviço do Exército Português, com géneros e ferragens saídos do Depósito de Escaropim destinados à Praça de Abrantes, são apreendidos no Porto de Muge, pelo Comissario Britânico F. Pratt. No mesmo documento é referido: passar Embarcações com Soldados dentro, porem-no em Terra, e tomá-la, alem de vários insultos tanto a nós, como aos ditos Soldados…11
AGOSTO 28: Para a construção da Ponte Militar de Abrantes, Coronel Manuel de Sousa Ramos, faz um grande requisição á Intendência Geral das Obras Militares11
SETEMBRO 2: Brigadeiro João Lobo Brandão fica a saber terem sido expedidas ordens ao Tenente Coronel Fava para continuarem os concertos necessários na Praça de Abrantes11
SETEMBRO/OUTUBRO/NOVEMBRO: Nestes três meses construiu-se na Praia do Sul Caes, formado de pegões de pedra e Cal, madeira porcima, Coberta de mato e arêa fazendo hum segundo suplemento a Ponta de Barcas na oCazião das enchentes. Além destas notas, ainda podemos ler na planta da ponte militar estabelecida em Dezembro de 1808, que se encontra no Arquivo Municipal Eduardo Campos (ficheiro TIF),  o seguinte: Caes formado sobre estacaria no Areal da Praia do Norte para servir de suplemento á Ponte de Barcas na oCazião das enchentes do Tejo, obra feita no Verão de 1809 com o qual, ecom a Obra que se fez da parte do Sul se poupão 32 Barcas com os respectivos Utencilios que era necessário ainda ter para as grandes enchentes.
Tanto esta Ponte como todas as mais que setem estabelecido na Beira Baixa tem sido da Direção do Coronel do Real Corpo de Engenheiros abaixo assignado – Tendo por seus Ajudantes: Major José Francisco António Dias,  Capitão Euzebio Candido Cordº Pinhº Furtado, Prº Ten Raimundo Jose da Sª Peres de Milão – Quartel de Abrantes 13 de Maio de 1812 – Manoel de Sousa Ramos – Coronel Engº.
Nota: Por publicar ficam 19 documentos relacionados com a Ponte Militar de Abrantes tais como os que se referem a barcas ponteneiras, materiais e operários11.
SETEMBRO 20: Intendente Geral e Fiscal das Obras Militares informa o Escrivão da Receita e Despesa das Obras Militares da Vila de Abrantes, não ter serradores em Lisboa e que deve pagar-lhes hum jornal mais avultado, ou deixalos trabalhar de Empreitada11. 
OUTUBRO 1: António Manuel Borges da Silva, nomeado Auditor de Brigada (Exército) para a Guarnição da Praça de Abrantes11.
OUTUBRO 10: Na lista para a supressão dos Arsenais/Trens Estabelecidos interinamente ou por decreto, com gastos mensais de 240#000, encontra-se o Trem da Praça de Abrantes 11
OUTUBRO 19/28: Por terra e barcos chegam géneros à Praça de Abrantes11. (AHM/DIV/1/14/016/38m0001/2) Sem utilizar as reservas de géneros, o Grande Depózito de Abrantes, fornece Castelo Branco, Vila Velha, Niza, Portalegre e outras feitorias11
Nota: No Ribatejo, ao serviço do Exército Português, encontram-se alistadas 102 embarcações11.  
Mapa das embarcações alistadas no Ribatejo
OUTUBRO 28: Em 24 dias de trabalho, são construídos em Lisboa 12 barcos que são imediatamente conduzidos para Abrantes11. 
NOVEMBRO 10: No Rossio de Abrantes ao Sul do Tejo um grande depósito de reserva de géneros11
NOVEMBRO 11: Ministro da Guerra informa Conde de Trancozo, ter expedido ordem para enviar oitenta armamentos para as recrutas que se acham no Depósito de Abrantes e que pertencem ao Batalhão de Caçadores Nº 211.
NOVEMBRO 16: Junta da Direcção Geral dos Provimentos recebe ordem de D. Miguel Pereira Forjaz para accellerar o aprovisionamento da Praça de Abrantes11.
-Na mesma data, Intendência Geral remete para a Praça de Abrantes material destinado à Ponte Militar e a Obras de Fprtificação11 
  Ponte Militar de Abrantes
NOVEMBRO 19:Intendente das Obras Militares recebe ordem para remeter para a Praça de Abrantes as ferramentas necessárias destinadas à construção de cinco (5) redutos no lado Ocidental de Abrantes11
Nota: Em todos os escritos até agora publicados sobre Abrantes e as Invasões Francesas, nenhum refere a existência de um “posto avançado de defesa”, na parte mais vulnerável da então Vila - Abrantes/Rio de Moinhos - antes do Forte de Santo António.
A ampliação de uma conhecida foto aérea mostra-nos o que foi um posto avançado de defesa da Praça de Guerra de Abrantes, confirmado por uma Planta  que se encontra anexa à "Memória militar respectiva ao plano de defeza da praça d'Abrantes" – Garcês, Belchior José.
Na mesma “Planta Militar”, também podemos ver o “Telegrafo de Ciera” e a sua localização na “Torre do Castelo de Abrantes”.
“Posto avançado Militar” – Vale de Roubam
(primeiro ponto de defesa de Abrantes)
 Posto avançado de defesa – Vale de Roubam
NOVEMBRO 26: Intendência das Obras Militares remete para a Praça de Abrantes: Barcas Ponteneiras, Pontões e Esteiras destinadas ao Depósito de Convalescentes11.
AHM
Nota: Da extensa a relação dos materiais enviados para as Obras de Fortificação da Praça de Abrantes, apenas se publica a figura acima com a descrição dos destinados à Ponte e Depósito de Convalescentes desta Praça11
-Na mesma data, Mapa das “Barcas” que se achão dentro e fora da ponte militar de Abrantes as que faltam  e as necessárias para fazer face às cheias11:
AHM
DEZEMBRO 2: Requeridas pelo Brigadeiro João Lobo Brandão de Almeida, Arsenal Real do Exército recebe ordem para se remeterem à Praça de Abrantes, cem (100) grilhetas para emparelhar presos11
AHM
DEZEMBRO 2/6 : Em virtude das queixas do encarregado de Abrantes, e de outras províncias, Intendente Geral dos Víveres e Transportes, Domingos José Cardoso pede a atenção a D. José Luis de Sousa, Secretário Militar, para as três causas necessárias ao fornecimento do Exército: DINHEIRO/TRANSPORTES/GENEROS 11. 
Nota: Por curiosidade, sobre o assunto, vejamos um parágrafo do que pensa o Intendente Geral de Viveres: …Há cinco classes de pessoas a q.m a guerra não tem prejudicado, antes a alguns lhes tem augmentado as suas fortunas, como são: Traficantes, os grandes proprietários de terras que não forão invadidas, Corporaçoens Ecleziasticas, que tem grandes rendas, Beneficiados e Negociantes de forma que a classe  mais indigente, e mais útil, he que tem sofrido os incómodos da Guerra… 11

DEZEMBRO 3: Para as obras Militares da Vila de Abrantes, a Intendência das Obras Militares remete11:

AHM

DEZEMBRO 5: A partir de Abrantes, Bejamim D’Urban (oficial britânico), servindo como oficial general do exército português envia relatório (em Inglês) a D. Miguel Pereira Forjaz e marechal Beresford, sobre as tropas por si comandadas e sobre o Hospital Militar de Abrantes11

DEZEMBRO 14: Ministro da Guerra informa Wiliam Carr Beresford, Conde Trancoso de ter dado ordem ao Inspector da Tesouraria para satisfazer o Hospital Militar de Abrantes na soma que for compatível com o estado da Tesouraria e ao Comissário em Chefe foram expedidas ordens para satisfazer a falta de víveres que se faz sentir no Depósito de Recrutas desta Praça11. 

 11AHM
25 OS EXÉRCITOS DE MASSENA E WELLINGTON NO CONCELHO DE SANTARÉM (1810-1811) Reflexos no Quotidiano Social, Político, Económico e Castrense Fernando Manuel da Silva Rita - MESTRADO EM HISTÓRIA REGIONAL E LOCAL - Percurso em História e Territórios Identitários – 2010
Sem número do documento encontra-se: Guia de Fundos:1-14 Campanhas da Guerra Peninsular _1807-1814 – Inventário de documentos AHM – Exemplo: (DOC) – PT AHM/DIV/1/14/042/03