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HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (XI)

Por José Manuel d’Oliveira Vieira
 “Da “Conspiração de 1817 à Revolução de 1820” 
Por Punhete/Abrantes passaram alguns conspiradores, sendo esta Praça o canal de correspondência dos mesmos.
Transferências, promoções, tratamentos e demissões por moléstia, tudo consequências da Guerra Peninsular, desconfiança nas instituições, conspirações, delações e traições de militares “Maçons”, de tudo um pouco passa por Abrantes até ao ano de 1820.
1817
-Não sendo inédita, esta “Planta” da Praça e Povoação de Abrantes - Capitães do Real Corpo de Engenheiros, João Damasceno da Cunha Machado Pinto e Segundo Ten. José António de Abreu é, pelas suas legendas, para os interessados na matéria um precioso auxiliar para localizar os pontos mais interessantes que se encontravam nesta “praça de Guerra”. Nela é possível ver as obras militares que aqui decorriam, nomeadamente nas baterias inferiores e superiores do Castelo, quintais, Convento da Esperança (mais conhecido por Teatro Taborda), Adro Velho (que tudo indica ter sido um cemitério contiguo à Igreja de S. Vicente), Santa Iria/Comunicação/Stº António/S. Francisco (hotel de Abrantes/Edifício Pirâmide/Largo Stº António), Vale de Judeu (edifícios torre), Frente de Fornos (edifício Tribunal/Turismo), obras altas e baixas do Convento de S. Domingos (Biblioteca Municipal António Botto) e Stº André (CAT-Centro Atendimento Toxicodependentes, na Rua da Barca, uma das portas de entrada de Abrantes).
Praça e Povoação de Abrantes/54-1-1-1 
-Uma outra Planta (inédita), da Praça de Abrantes de 1817, com boa resolução - localização e nomes de redutos militares existentes em redor de Abrantes (alguns desconhecidos), de todas as capelas e igrejas existentes na Vila, será, logo que oportuno, publicado num outro trabalho destinado à defesa militar desta Praça.
JANEIRO 15: Projecto para os armazéns gerais e das companhias do Regimento de Infantaria nº 20 de guarnição da Praça de Abrantes (ver legenda planta) - Raimundo José da Silva Peres de Milão 1º Tenente Engenheiro. 
Castelo de Abrantes - Planta dos armazéns e companhias do Regimento de Infantaria nº 20/ 414-1-1-1 
JANEIRO 27: Proposta Nº 1433 dos Governadores do Reino para distribuição das prezas de guerra feitas ao Inimigo pelas Tropas do Exército de Terra de S.A.R. é aprovada por sua Majestade El-Rei
Tabela para distribuição presas de guerra
FEVEREIRO a DEZEMBRO: Governador da Praça de Abrantes Conde de Rezende manda que Comandante do Regimento de Infantaria Nº 20 remeta aos “Corpos” de origem, dezenas de militares que cumpriram as sentenças no Presídio Militar de Abrantes
FEVEREIRO 4: Manuel José de Almeida Beja “solicita lhe sejão isentas as cazas que prefere na Villa de Abrantes onde rezide, e que lhe forão designadas pela Repartição de Obras Militares para servirem no Hospital Regimental".
Referência ao requerimento de “Manuel José Almeida Beja”
MARÇO 18: Raimundo José da Silva Peres de Milão, Tenente do Real Corpo de Engenheiros, não aceita em prejuízo das obras militares do Convento de Santo António que o Juiz de Fora de Abrantes João Delgado Xavier* desvie o carpinteiro João Ferreira para edificar um lagar de azeite com água do Zêzere no sítio de Pomares.
*No dia 5 de Abril, João Delgado Xavier justifica ao Visconde de Juromenha, secretário militar a sua actuação no caso das obras. 
ABRIL 1: Tenente José Andrade Corvo de Camões* tem como exercício Ajudante de Ordens do Governador da Praça de Abrantes Marechal de Campo D. Luis Inocêncio Benedito de Castro, 3º Conde Rezende.
*José Andrade Corvo Camões Maçon da Loja “Virtude", Pedro Pinto de Moraes Sarmento Maçon da Loja “Philantropia” e João de Sequeira Ferreira Alves foram os três traidores que denunciaram a “Conspiração Liberal de 1817” contra o Marechal Beresford e que levou à morte no patíbulo o General Gomes Freire de Andrade, 5º Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano entre 1816 e 1817.
ABRIL 19: No Comando do Regimento de Infantaria Nº 20 em Abrantes Coronel João Prior. 
ABRIL 23: Henrique de Mesquita Sarmento, Tenente Coronel do 4º Batalhão de Caçadores, aquartelado na Vila de Penamacor, não permite que os soldados do seu comando removam os utensílios do extinto Hospital de Penamacor, para o Hospital da Divisão de Abrantes.
JULHO 7/AGOSTO: Capitão-mor de Abrantes, João Marques Ferreira é responsável pelo Recrutamento Militar dos naturais de Abrantes, Amoreira, Punhete, Tramagal, Bemposta para servirem no Exército nesta Província.
AGOSTO 12: D. Luís Inocêncio Benedito de Castro, 3º Conde Rezende, Marechal de Campo, Governador da Praça de Abrantes, com licença da Junta de Cirurgiões Militares para tratar de moléstia por 50 dias fazendo uso da água das Caldas da Rainha.
OUTUBRO 1/31: Sentenciados do Presidio Militar do Castelo de Abrantes que se encontram a trabalhar nas obras dos quartéis da Praça, presidio e construção da muralha:
-6 pedreiros
-4 carpinteiros
-2 ferreiros
-58 serventes. 
Nas obras do trem:
-2 ferreiros
-2 serventes. 
Em condições de ajudar as guardas da guarnição, hospital regimental e presidio:
-10 juízes e rancheiros.
Empregados no presidio: 
-6. 
No presidio por se acharem incapazes do serviço:
-3. 
No último dia de Outubro existiam 95 sentenciados. Além dos sentenciados existentes, no mesmo mapa é possível ver os militares que entrarão (28) nas prisões militares de Abrantes bem como os que sairão (6) durante o mês de Outubro.
Presos que entrarão e sairão do “Presidio de Abrantes” no mês de Outubro
OUTUBRO 15 a DEZEMBRO 11: Do “Prezidio Militar de Abrantes”, João Prior Comandante do Regimento de Infantaria Nº 20* remete sob escolta aos “Corpos” de origem dezenas de militares que cumpriram as sentenças nesta Praça.
*Todos os documentos à data de 11 de Dezembro (1817), são assinados por João Prior como Comandante do Regimento de Infantaria Nº 20 e Governador Interino da Praça de Abrantes e continuam até 6 de Maio de 1820.
NOVEMBRO 1: Pedro Paulo de Carvalho, Ajudante da Praça e Comandante do Presídio de Abrantes.
NOVEMBRO 28: Promovido a Capitão com o exercício que actualmente tem, o Tenente José de Andrade Corvo*, Ajudante de Ordens do Senhor Marechal de Campo Conde de Rezende. 
*José Andrade Corvo Camões, Maçon da Loja “Virtude, um dos três traidores que fizeram parte da “Conspiração de 1817” e que a denunciaram em carta anónima levando à morte no patíbulo no Forte São Julião da Barra no dia 18 de Outubro o General Gomes Freire de Andrade, 5º Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano entre 1816 e 1817.
DEZEMBRO 7: Durante os trabalhos de fortificação da “Praça”, fugiu o sentenciado, Soldado Manuel Gonçalves. Durante a fuga feriu a sentinela. Preso a 9, aguarda no mesmo presídio para ser presente a Conselho de Guerra (ver sentença 24 MARÇO 1818). 
1818
JANEIRO a OUTUBRO: Após o cumprimento das sentenças a que foram condenados no Presidio de Abrantes, Governador da Praça Conde de Rezende manda apresentar nos “Corpos” de origem dezenas de militares do Batalhão de Caçadores Nº 9, Caçadores Nº 7, Caçadores Nº 4, Infantaria Nº 11, Infantaria Nº 24, Infantaria Nº 23, Caçadores Nº 8, Cavalaria Nº 6 e 12. 
FEVEREIRO 18: São remetidos do Arsenal Real das Obras Publicas para o Presidio da Praça de Abrantes, por terem sido sentenciados a trabalhos públicos: 13 militares de Cavalaria Nº 6, 7 de Cavalaria Nº 9, 1 de Caçadores Nº 10 e 1 de Infantaria Nº 11.
MARÇO 7: João Marques Ferreira Annes, Capitão-mor com Quartel em Montalvo, por ordem do Marquês de Campo Maior, manda prender o Soldado Desertor António Vicente, natural de Abrançalha, sítio de Abrantes e entregar ao Governador da Praça de Abrantes. 
MARÇO 24: Pelo crime de ferimento em sentinela e fuga do presídio Militar de Abrantes, o Soldado Manuel Gonçalves é condenado em degredo perpetuo para toda a vida para hum dos Prezidios de Angola; pena de morte se voltar a este Reino. – Está conforme o original – João Grosmit, Sargento da Praça de AbrantesO conselho de Guerra teve lugar no dia 11 de Fevereiro em Abrantes. 
ABRIL 15: D. Luiz, Conde de Resende e Governador de Abrantes, obtém informações de que um Soldado Desertor do Regimento de Milícias de Guimarães, que há quatro para cinco anos saiu da sua terra em companhia de lagareiros se encontra a trabalhar nos lagares de D. Elena, do lugar de Alvega, e depois assoldadou-se para criado da sua carruagem, o armamento ficoulhe em casa de seu pai…
MAIO 1/MAIO 2/AGOSTO 21: Devido à fuga de presos sentenciados a trabalhos forçados nas obras de fortificação da Praça de Abrantes, Conde de Resende, Governador da Praça determina que a partida dos presos se faça de dez a vinte ou mais parelhas com guardas proporcionadas a homens “agrilheados”.
JUNHO 19: Praça de Abrantes passa a ter uma “Junta Militar de Saúde” .
JULHO 27: Por determinação do Comandante Interino do Exército, Francisco de Paula Leite, o Major António Pereira de Morais, Comandante Interino do Regimento de Infantaria Nº 20 envia a Manuel Brito de Mouzinho o nome e postos de todos os militares que estiveram na Batalha da Vitória.
OUTUBRO 8 a DEZEMBRO 28: Por ordem do Governador da Praça de Abrantes, Conde de Rezende, o Ajudante de Ordens José Andrade Corvo de Camões, manda recolher aos “Corpos” de origem os militares que cumpriram as sentenças nesta Praça.
OUTUBRO 31: Militares curados no Hospital Regimental de Infantaria Nº 20 regressam aos seus “Corpos” de origem.
1819
JANEIRO 8 a MAR 11: Do “Prezidio de Abrantes”, por ordem do Governador da Praça, Conde de Rezende, continuam a sair para os seus “Corpos” de origem militares que cumpriram sentenças nesta Praça.
JANEIRO 13/MARÇO 1: Francisco Pereira - preso em 28 de Agosto de 1817 data posterior à do Real Indulto, José Rodrigues - desertor em tempo de guerra e Martinho Afonso - cumprindo dois anos de trabalhos públicos nas obras da Praça de Abrantes que fugiu em 23 de Fevereiro de 1818 e foi preso em Lamego com o nome falso de Manuel José, todos sentenciados no presídio de Abrantes, suplicam o Regio Indulto, por não terem sido comprehendidos pela Graça Real de Sua Majestade de 19 de Agosto de 1817.
MARÇO 27: Por terminada a sentença a que foi condenado a trabalhos na “Fortificação desta Praça”, regressa ao Regimento de Cavalaria Nº 10 o Soldado Francisco Manuel.
ABRIL 1 a SETEMBRO 27: Continua a diminuir significativamente a população prisional militar em Abrantes. Por terem terminado a penas a que foram sentenciados, acompanhados por “anspeçadas”*, cabos de esquadra ou sargentos, dezenas de militares regressam aos corpos de origem.
*Anspeçada: primeiro posto militar acima de soldado.
MAIO 31: João Delgado Xavier, Juiz de Fora de Abrantes, informa o Comandante do Regimento de Cavalaria Nº 10 existir em “Juízo” três processos contra o réu João Vicente Antunes, natural do Lugar de Carreira do Mato, residente em Lugar do Souto ou Abrançalha e que assentou praça no R.C. Nº 10 para escapar à prisão.
JUNHO 15: Aquartelados na Praça de Abrantes – Destacamento de Artilharia Nº 1, Destacamento de Cavalaria Nº 1, um Regimento de Tropa de Linha e duas Companhias de Veteranos. 
Nota: Ver - OUTUBRO 1 (Planta - Alojamentos para Artilharia e Cavalaria). 
JULHO 3: Medição das obras de pedreiro das “fortificacoens da Praça de Abrantes”
 
OUTUBRO 1: Planta Quartel do Regimento Infantaria Nº 20 Praça Abrantes do Capitão Engenheiro Raimundo J. S. P. Milão:
Castelo de Abrantes - Quartel do Regimento de Infantaria nº 20/413-1-1-1
Castelo de Abrantes - Antigo Quartel Infantaria Nº 20 aqui, como como Quartel de Artilharia
NOVEMBRO 7/8: Para cumprirem sentença de trabalhos públicos, militares desertores condenados em conselho de guerra são enviados à “Praça de Abrantes”. 
1820 
JANEIRO 12:Capitão Engenheiro Raimundo José da Silva Peres Milão, faz projecto das “tarimbas”* para o pavimento superior do Quartel do Regimento de Infantaria Nº 20, aquartelado na Praça de Abrantes. 
*Tarimba é um estrado de madeira, plano e duro, onde dormem os soldados nos quartéis e postos de guarda. Considerada cama rude, dura e desconfortável, o nome é também usado para designar a vida de caserna ou vida de soldado. Neste contexto, no sentido honroso da palavra, significa profissional das armas com larga experiência ou grande prática.
Abrantes - "Tarimba" R. I. Nº 20/415-1-1-1
JANEIRO 21 a DEZEMBRO 5: Dadas por fim as penas a que foram sentenciados, saem das prisões militares de Abrantes um significativo número de militares, que escoltados, regressam às unidades de origem*.
*A repetição dos sentenciados que regressam às suas unidades de origem tem por finalidade saber quão grande era a população prisional existente no “Presidio” da Praça de Abrantes, nos anos antecedentes e a seguir à Guerra Peninsular.
Nota: Durante o Governo do Marechal de Campo D. Luis, 3º Conde de Rezende (17 Dezembro 1815/31 de Março 1820), devido às ausências do Conde ou por impedimentos do mesmo, foram Governadores Interinos da Praça de Abrantes: Coronel João Prior, Tenente Coronel José Pinto da Cunha Savedra, ambos pertencentes ao Regimento de Infanatria Nº 20 e Tenente Coronel Inácio Aires da Costa.
FEVEREIRO 19: Comandante do Regimento de Infantaria Nº 20, manifesta desagrado a D. Miguel Pereira Forjaz por haver apenas 6 Regulamentos Militares, quando devia haver mais 30, um por cada oficial. 
MARÇO 28: Ajudante da Praça de Abrantes Capitão Graduado de Artilharia Nº 2, José Pereira da Cunha.
MARÇO 31: Governador da Praça de Abrantes, Marechal de Campo, D. Luiz Inocêncio Benedito de Castro, 3º Conde de Resende*, desonerado do Comando imediato da Praça, passa a comandar a 4º Brigada de Infantaria.
Nota: Conde Rezende foi nomeado Governador da Praça de Abrantes por Despacho de 17 de Dezembro de 1815. Na mesma data, para a Praça de Elvas foi o Marechal de Campo João Lobo Brandão de Almeida ..
*D. Luís Inocêncio Benedito de Castro (1777-1824). Oficial do exército. Maçon. Guerra peninsular. Governador de armas da Estremadura, adere ao movimento revolucionário de Lisboa de 15 de Setembro de 1820. Membro da Junta Provisional Preparatória das Cortes, criada em 27 de Outubro de 1820. 
Governador da Praça de Abrantes
 D. Luis Inocêncio Benedito de Castro 3º Conde de Resende
JULHO 22: Abrantes - Sobre o hábito de se enterrarem os cadáveres nas igrejas, o juiz de fora de Abrantes, Joaquim José de Morais, querendo executar a lei ordenada por sua Majestade e também pelo clamor do povo devido ao mau cheiro que emanam as Igrejas, projecta estabelecer em distância conveniente, acordada pelos facultativos, um cemitério geral*, que deverá recolher não só os cadáveres dos falecidos habitantes desta grande Villa, mas também os do Regimento Nº 20 da sua Guarnição e os dos mais Corpos do Exército que por aqui transitam…em manifesta utilidade dos Militares, e de ter aqui um Presidio de Sentenciados e Obras Públicas; eu imploro a V. Magestade e Graça de determinar que pella Repartição das Obras Publicas Militares, se desse ordem ao Comandante do referido Presidio, para que, sejão empregados alguns daquelles presos, que, com utensílios, ferramentas necessárias prestem a ajuda, e trabalho, de que forem (!) em auxilio dos habitantes…
*Naquele que viria a ser o Cemitério dos Cabacinhos.
AGOSTO 21: Capitão Raimundo José da Silva Peres de Milão julga de toda a justiça e mesmo de toda a necessidade, de conceder ao Juiz de Fora de Abrantes o auxílio que pede de alguns presos sentenciados e ferramentas que sem prejuízo das obras de fortificação da Praça se podem empregar na obra do Cemitério.
Relação dos Presos Sentenciados do Presidio da Praça de Abrantes, ferramentas, utensílios, que se poderão empregar na construção de um cemitério geral, para esta mesma Praça:
-40 presos sentenciados11.
-10 enxadas.
-12 picaretas.
-6 pás de ferro
-12 padiolas.
AGOSTO 27: Narração dos acontecimentos na Praça de Abrantes desde 27 de Agosto até 3 de Setembro e do que aconteceu até 15 de Setembro ao Comandante Interino da Praça de Abrantes, Tenente Coronel do Regimento de Infantaria Nº 20, José Pinto da Cunha Saavedra, escrita e assinada pelo próprio no dia 4 de Outubro de 1820: “Na noite de 27 de Agosto às 10h00 entrou o Capp (Mor!) Praça no meu Quartel entregou-me logo a Proclamação da Junta do Supremo Governo do Reino com hum officio do Secretario da mesma, ordens novas pª qe emediatamte se publicasse, e se reconhecesse o novo Governo, ajuntando q. preça com q. marchava não dra tempo atrazar mais ordens, q. no dia seguinte ou depois me serão mandadas. Vendo eu qe a Salvação da Pátria não admitia demora alguma emediatamte convoquei toda a oficialidade do Regimento Nº 20 da Praça que interinamente comandava no meu Quartel li a Proclamação disse o que pude a favor do novo Governo… e tendo convencida a oficialidade emediatamte se reconheceu o novo Governo, e formando o Regimento ao romper do dia com mil vivas repetidas no Rocio e na Praça (hoje Praça da Republica) se prestou fidelidade Governo Supremo. Os habitantes mostraram igual prazer… (ver SETEMBRO 15)
Nota: A “Revolução do Porto teve lugar no dia 24 de Agosto de 1820. A “proclamação da Junta do Supremo Governo do Reino” chega a Abrantes no dia 27 de Agosto, início da insurreição militar na Praça de Abrantes.
A “Narração” dos acontecimentos em Abrantes com 9 folhas manuscritas sob a forma de relatórios revela-nos antes de tudo: a revolta do exército e adesão da população à causa liberal, uma história de poder e traições perpetrada na Praça de Abrantes.
Se desejar obter cópia da carta original (PDF) solicitem para o e-mail: jose.vieira.abt@gmail.com
AGOSTO 30/31: Nesta data, Doutor Juiz de Fora da Vila de Abrantes - Joaquim José de Morais (e não Moura conforme consta em documentos publicados à época), Juízes Ordinários da Vila de Punhete - Francisco Ignacio dos Santos Cruz, Jacinto Sousa Falcão e Governador de Elvas Tenente General João Lobo Brandão de Almeida é comunicado em ofício ao Intendente Geral da Policia os acontecimentos perpetrados pelo Tenente Coronel José Pinto Saavedra, Comandante Regimento de Infantaria Nº 20 de Abrantes e Governador Interino da Praça (ver SETEMBRO 2)
AGOSTO 31:Por ordem do Tenente Coronel José Pinto Saavedra, Comandante do R.I. Nº 20 e Governador Interino de Abrantes, Juiz Ordinário da Vila do Sardoal é intimidado a afixar a “Proclamação da Junta do Governo Supremo Interino do Porto”. Chamada a Camara, Nobreza e Povo o Juiz Francisco Xavier d’Almeida Pimenta, lembra a obrigação de permanecer “firmes nos nossos juramentos e fidelidade á Religião, ao Nosso Augusto Soberano, e á Patria… 
SETEMBRO 2: De Torres Novas pelas onze da manhã, parte em direcção à Praça de Abrantes o General Champalimaud, o Tenente Coronel Aaddok e o Capitão Ricardo, em consequência de ter chegado a Thomar o Capitão do Regimento de Infantaria D. João dando-lhe parte de ter desemparado o Comando do Corpo, e da Praça o Tenente Coronel José Pinto Saavedra, e que por consequência o Corpo estava em huma grande condusão…
SETEMBRO 2: Os mesmos juízes e João Lobo Brandão Governador de Elvas (AGOSTO 30/31) que comunicaram a insurreição e actos praticados no R.I. Nº 20, apressam-se a jurar “fidelidade á Religião, ao Nosso Augusto Soberano, e á Pátria”:
“Á Intendência Geral da Policia
Illustrissimo Senhor: - Depois do meu Officio de 30 do passado, em que participei a V. Sª os acontecimentos, que havião tido lugar nesta Villa até áquela data, depois della tinha o Governador da Praça feito todas as disposições para se retirar della com o Regimento, e tanto, que requisitou cincoenta cavalgaduras maiores, para estarem prontas hoje por noute. Aconteceo porém ter observado descontentamento em alguns Officiaes, e sendo em consequência convocados todos os da Guarnição, determinarão, e manifestarão o seu arrependimento pela causa que havião tomado, e ás nove horas de hoje, reunido o Regimento em parada, no meio de aclamações, e vivas a Erei Nosso Senhor, foi lida a Proclamação dos Excellentissimos Governadores do Reino, de 29 do passado, e afixado n´aquelle mesmo lugar em que o estava ainda a outra do Governo do Posto, que foi arrancado, e rasgado, e depois voltou o Regimento aos seus Quarteis, e continúa a fazer o Serviço da Praça.
Deos guarde a V. S.ª Abrantes 2 de Setembro de 1820. – Illustrissimo Senhor Desembargador do Paço Intendente Geral da Policia da Corte e Reino. – O Juiz de Fora, Joaquim José de Moura (é Morais e não Moura como foi publicado em documentos à época).
SETEMBRO 15: Por “disposições dos Governadores de Lisboa”, após dois dias e duas noites preso no “Castelo” (Lisboa), o General Conde de Rezende, mandou formar o Regimento Nº 10, levou o Tenente Coronel Saavedra á frente do Regimento e disse que estava incluído no perdão, mandou entregar a espada e lhe disse que podia voltar para o seu Regimento (Abrantes)… 
SETEMBRO 18: Com a sua “Divisão Ligeira” a caminho de Tomar, coronel Bernardo Corrêa de Castro e Sepulveda, teve noticia de que também o regimento de infantaria nº 20 se insurreccionara em Abrantes, comandado por um alferes, e se achava na Venda da Serra á espera d’elle para se lhe unir
STEMBRO 19: A partir de Tomar, Sepulveda passa ordem ao coronel do regimento de milícias de Santarem fosse tomar o comando e governo interino da Praça de Abrantes, onde já se tinha levantado o grito revolucionário, e n’ella reunisse ao seu regimento todas as tropas que estivessem na praça e as milícias vizinhas, para segurar, em todo o caso, aquelle ponto importante, e tirar este refugio ao general Victoria, que se encontrava em Castello Branco.
A mesma fonte refere: O pronunciamento e occupação da Praça de Abrantes foram assim um facto mui importante para a causa revolucinaria, por quanto, além de ser um ponto forte adquirido na Extremadura, fechou por aquelle lado as portas ao infeliz general Victoria, que se viu encurralado, sem poder fugir, nem para norte, nem para o sul . Sepulveda mandou marchar o regimento nº 20 para Coimbra, a fim de receber as ordens do governo supremo, e de se unir ao corpo de exercito que este determinasse.
Bernardo Correa de Castro e Sepulveda
-O Bispo de Castelo Branco ordenou a pena de suspensão ao vigário de S. João por ter usado de palavras indecorosas para com os Oficiais do Batalhão de Milícias de Santarém na ocasião em que estes ouviam missa na igreja de S. João.
Referências escritas:
-11 AHM
-AG 26 pg 133/256
-AG 190 pg 21
-AG 225 pg 65/161/228
-AG 231 pg 77/78
-AG 241 pg 60/65
-AG 245 pg 435
-AG 247 pg 238 a 248
-DO93
Plantas Militares da Praça de Abrantes do GEAEM:
-54-1-1-1
-45-1-1-1
-414-1-1-1
-413-1-1-1
-415-1-1-1

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (X)


Por José Manuel d’Oliveira Vieira
1816
-Governador da Praça de Abrantes o Marechal de Campo D. Luis Inocêncio Benedito de Castro, 3º Conde de Resende(a).  
-Cartografia: Planta em que se mostram os projectos dos melhoramentos da Praça d’Abrantes para a tornar inexpugnável (b).
1816 – Praça de Abrantes
DO MESMO ANO: Planta da Praça d’Abrantes com os projectos dos melhoramentos nas fortificações à época e uma planta dos perfis de algumas fortificações e fossos* existentes nos mesmos. Em qualquer uma das Plantas da Praça d’Abrantes podemos ver o local das “baterias de Stº António, reduto de S. Francisco, reduto de Stª Iria e baluarte de Stº André entre outros (c). 
*FOSSO/S: Escavação em todo o círculo da fortaleza ou só nas partes mais expostas (como foi o caso do Castelo de Abrantes), que dificultava o acesso às entradas e a aproximação às muralhas (d)
JANEIRO 1: Na “Tabela do Regulamento Organização do Exercito de 1816”, é proposto a colocação do Regimento de Infantaria Nº 20 na Praça de Abrantes AG223
JANEIRO 23: A comandar o Regimento de Infantaria Nº 20 na Praça de Abrantes o Coronel João Prior11
MARÇO 4/11: No lugar de Rio de Moinhos, Termo da Vila de Abrantes, Jorge de Mesquita Mascarenhas e Meneses, Coronel do Regimento de Milícias de Tomar estabelece o seu Quartel e inicia uma inspecção à Capitania Mor de Abrantes, ouvindo em auto de averiguações o Capitão Comandante de Ordenanças da Vila de Abrantes José Henriques de Carvalho, Capitão-mor João Marques Ferreira Annes de Oliveira, Sargento-mor Vicente Manuel Ferreira e outras testemunhas residentes no termo de Abrantes, devido a irregularidades nos mapas de sorteamento e recrutamento11
MARÇO 6/12:Por não haver no Regimento de Infantaria Nº 10 em Santarém Calceta*, e Cadeias precisas para o Soldado da 3ª Companhia Bernardo Ferreira, cumprir a Sentença do Conselho de Guerra que o condenou em dois anos de trabalhos públicos, com as mencionadas Calcetas, e Cadeias delgada, preza da perna á cintura, o Principe Regente determina que o Soldado Ferreira seja remetido para os calabouços e cumpra a sentença na Praça de Abrantes11
AHM
*Calceta, s.f Argola de ferro presa na perna, de que sai uma corrente, como trazem os forçados das galés.§. A calceta, fig. Os forçados das galés, que sayem ao serviço pelas ruas AG128
MARÇO 23: Pelas acções praticadas por militares e civis na defesa da Praça de Abrantes, no dia 4, 7 e 13 de Novembro de 1810, o Brigadeiro João Lobo Brandão de Almeida, solicita em ofício ao “Nobre Senado de Abrantes” que registe no livro da Câmara, para ficar em memória, os nomes do Ministro, Vereança, que servião naquelle tempo, e os Comandantes dos Corpos, e mais Empregados abaixo declarados:
Senado
- Juiz de Fora, Francisco José Barboza P. C. Mareca.
-Vereador, André de Moura Castanhos.
-Vereador, Dr João Vaz Soares.
Comandantes Corpos Militares
-Governador e Coronel Cmdt do Regimento Nº 13 de Infantaria, João Lobo Brandão de Almeida.
-Coronel Cmdt Artilharia, Caetano António de Almeida.
-Ten. Coronel Cmdt do Regimento Infantaria Nº 22, João Watling.
-Major Cmdt do Regimento Cavalaria Nº 9, Francisco Ignacio Pessoa de Mello.
-Coronel do Regimento Milícias Arouca, José Guedes de Magalhães.
-Coronel do Regimento de Milícias da Lousã, Jerónimo Colasso deMagalhães.
-Ten. Coronel de Milícias de Soure, Gil de Almeida Souza e Sá.  
Engenheiro da Praça
Pedro Patton
Empregados Civis
Primeiro Médico do Hospital Militar, Francisco José Siqueira.
Primeiro Comissário de Viveres, Manuel Pereira da Cruz.
Capitão-mor do Distrito
-João Marques Fernandes de Oliveira – ainda que não assistiu dentro da Praça, esteve sempre prompto a executar as minhas ordens – Hé quanto se me oferece ficando certo,que merecerá a aprovação de V. Sª., e mais Senhores da Camara11.  
ABRIL 2: João Delgado Xavier, Juiz de Fora Presidente, participa ao Governador da Praça de Abrantes que o Oficio de 23 do mês passado, submetido a votos, não fosse registado nos livros da Câmara por decisão dos Oficiais da mesma, por não ser da sua competência, nem constar que a mesma Praça, e sua Guarnição fizessem resistencia ao inimigo o qual não atacou, e que com ordem de Sua Alteza Real se registaria, quando o mesmo Augusto Senhor, se digne assim mandar […] 11 (ver: JULHO 18/SETEMBRO 4 e Anexos A/B).
ABRIL 8: A partir de Abrantes, o Brigadeiro João Lobo Brandão de Almeida, informa o Conde de S. Paio que o seu Destacamento Militar tem “contido os salteadores a uma distância de cinco léguas* da Praça de Abrantes, não se atrevem a aproximar, os habitantes os povos vizinhos e viajantes encontram-se seguros”11
*Légua (medida itinerária portuguesa equivalente a 5 quilómetros).
ABRIL 13/23:Joaquim Soares Mendes à época Procurador do Concelho, requere e é deferido o pagamento de catorze vales de azeite que forneceu por ordem da Câmara para as luzes dos quarteis desde 1 de Fevereiro de 1812 até 22 de Janeiro de 181311
ABRIL 20:A desempenhar a função de Governador Interino da Praça de Abrantes, Coronel de Veteranos, José Andrade Vidigal recebe um grupo de presos e louva a sua escolta e respectivo comandante, referindo o facto a António de Azevedo Coutinho, comandante do Regimento de Cavalaria 11 de Castelo Branco, bem como a “boa ordem, disciplina, e subordinação, em que teve o Destacamento” em serviço nesta Praça11.
ABRIL 30: Em arrecadação, na margem norte do Tejo em Abrantes: amarrações, madeiras e utensílios de cobre, ferro, madeira, maçane, pontões, pregaria e mais utensílios que se achavam em sobressalente para serviço das ditas pontes pertencentes às pontes militares de barcas de Abrantes, Punhete e Vila Velha que estiveram colocadas sobre os rios Tejo e Zêzere,”11. 
AHM
MAIO 17: Nesta data o Brigadeiro João Lobo Brandão de Almeida ainda se encontra no Quartel de Abrantes11
JUNHO 17/22: João Lobo Brandão de Almeida, já como Marechal de Campo, Comandante Interino das Armas da Beira faz despachos a partir do seu Quartel-general em Abrantes e envia a D. Miguel Pereira Forjaz relação dos oficiais e oficiais inferiores que foram encarregados da inspecção a diferentes Capitanias Mores Provincia da Beira11
JULHO 18: João Lobo Brandão de Almeida refere ao Ministro D. Miguel Pereira Forjaz como um insulto o “Acórdão do Senado” por estes se recusarem a registar nos livros da Câmara, para memória futura, o nome dos militares e civis que repeliram o inimigo nos três grandes reconhecimento que fizerão em 4, 7 e 13 de Novembro de 1810, e em todos os mais acontecimentos […] Sobre os signatários do “Accordãorefere que à época dos acontecimentos, à excepção do Presidente João Delgado Xavier que era Juiz dos Órfãos da Décima Freguesia de Nossa Senhora dos Mártires de Lisboa […] todos abandonarão,a Praça de Abrantes, retirando-se deste ponto, conduzidos de medo […] 11. 
SETEMBRO 4: Em execução da Ordem de El Rey Nosso Senhor (Aviso de 22 do mês passado), se mandem riscar nos mesmos Livros o Accordão, que a Camera fizera lançar nelles com resposta negativa áquelle officio […]11. 
NOTA: Por se julgar de interesse para a história local, e, por contradizer o “Accordão” do Senado de Abrantes” se reproduzem dois relatórios escritos à época dos acontecimentos (Novembro de 1810), por Brandão de Almeida, os pormenores das acções militares11  (ver Anexo A e B).
OUTUBRO 31: Empregados e doentes no Hospital Militar de Abrantes: 1 director, 1 capelão, 15 empregados de saúde, 9 empregados da fazenda, 66 doentes11
AHM
NOVEMBRO 13: Para alojar oficiais na Vila da Praça de Abrantes, Duarte José Fava refere ao Visconde de Juromenha: Cazas pertencentes a Maria Micaela, Viuva do Dor Francisco Gameiro, em que se projectava fazer Quartel para Officiais do Destacamento d’Artilharia, não tem tanta comodidade, como a Barraca projectada para este mesmo fim, como evidencia a planta junta Nº 1…11. 
Nota: Não foi possível localizar o nome dos proprietários e a casa em questão. No entanto, se algum dos, visitantes desta página tiver a informação agradeço. A cisterna que está localizada na planta da casa pode ser uma pista.

Abrantes - Casa de Maria Micaela, Viúva do Dor Francisco Gameiro
AHM
Anexo A
Relatório do Governador da Praça de Abrantes, João Lobo Brandão de Almeida para Manuel de Brito Mouzinho (04-11-1810)
Ao momento, que estava oficiando a Vossa Senhoria, e aprontar para mandar o Correio da Posta Militar me avisarão que vinham Tropas de Sul do Tejo; fui imediatamente ao Castelo observar o que era, reconheci, que eram Espanhóis, e eram setenta Cavalos, que se vieram … (!) ao Brigadeiro D. Carlos de Espanha; um momento depois me vieram dar parte, que os Inimigos se avizinhavam da parte de Punhete sobre Rio de Moinhos; fui a Santo António, e observei o Inimigo, porem … (!), que o nosso Piquete estava postado para diante da Esplanada, que está cobrindo as duas estradas, que ali estão, estava já fazendo fogo com a avançado do Inimigo, e o Tenente Coronel Watting tinha saído com a maior parte do seu Regimento para suster, e obstar o Inimigo, fui então obrigado a fazer sair quatrocentos homens, duzentos do Regimento Nº 13, e duzentos do Regimento de Cavalaria Nº 9 para cobrir os flancos das alturas, e evitar, que o Inimigo pudesse cortar o Regimento Nº 22, que com demasiada coragem se tinham engajado, fiz vir duas peças de Artilharia de 3, com que lhe fiz alguns tiros, a Companhia de Caçadores do Regimento Nº 22 por toda a parte fazia fogo com uma bravura incrível: não sei, que tivéssemos morto algum, dos Inimigos dizem, que vários. Eu agora dei uma ordem para reprimir a coragem dos nossos Militares, que se devem curar os cavalos, quando se necessite, e forem mandados. Remeto a Vossa Senhoria carta do Capitão-mor de Abrantes, que recebi ao pôr do Sol. Torno a repetir a Vossa Senhoria, que D. Carlos está guardando a Ponte, e os Vaos; as posições estão tomadas, e só no último caso se lhe deitarão fogo.
Deus Guarde Vossa Senhoria
Quartel de Abrantes 4 de Novembro de 181011
Anexo B
Relatório do Governador da Praça de Abrantes, João Lobo Brandão de Almeida para Manuel de Brito Mouzinho (07-11-1810)
Tendo tido noticia ontem, que os Franceses tinham retirado a maior força, que estava em Punhete, passando toda a Artilharia, Gados e a maior parte da Tropa para o lado de Norte, combinei com o Brigadeiro D. Carlos de Espanha, que seria mui útil atacarmos a gente, que ali estava, destruirmos a Ponte, e queimar-lhe seis ou sete barcos que tinham acarretado para ali em Carros; fez D. Carlos passar para a parte de cá a sua Cavalaria para espiar o Campo quinhentos homens de Infantaria, e com mil e quinhentos de todos os Corpos da Guarnição, marchamos com intenção de irmos a Punhete, porém logo que passamos Amoreira entrou a Cavalaria Espanhola a bater-se com os Franceses e as Companhias, que servem de Caçadores também fizeram fogo continuado de sorte que os Inimigos retiraram-se sobre Montalvo, eu fiz adiantar duzentos homens, D. Carlos trezentos, porem os Franceses se formarão em Linha de Batalha na altura das Casas do Capitão Mor; e como disseram alguns paisanos, que eles terão trezentos a quatrocentos Cavalos, não nos detivéramos ataca-los, e depois de um tiroteio toda a tarde nos retiramos em boa ordem sem perder um só homem, nem ferido, e sabemos, que os Inimigos perderão três homens, e só quatro Cavalos de D. Carlos foram feridos. Os paisanos continuam a fazer uma guerra terrível aos Franceses, matando neles continuadamente, e hoje me remeterão para aqui três prisioneiros vindos de Espanha.
Deu Guarde V. Senhoria
Quartel de Abrantes 7 de Novembro de 181011
 11 AHM.
(a) Despacho 17 Dezembro 1815 Gazeta Lisboa Nº 98 de 1816 – pg. 435.
(b)Angelo Centazzi 2º Tenente do Real Corpo d'Engenheiros – Cota: 51-1-1-1 DSE CRT6/2002 DIE.
(c) Cota: 156-1-1-1 DSE CRT24/2002 DIE). Cota: 158-1-1-1 DSE CRT29/2002 DIE.
(d) Dicionário de Arquitectura Militar – Nunes, António Lopes Pires pg. 12. 
AG 223 Pg 416.
AG 128 Pg 324.

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (IX)

Por José Manuel d’Oliveira Vieira
João Lobo Brandão de Almeida foi Governador da Praça de Abrantes até Dezembro de 1813. Durante o ano de 1814, o Ministro da Guerra ainda consultava Brandão de Almeida e este ainda se considerava Governador da Praça. A 12 de Outubro de 1815, João Lobo Brandão de Almeida foi promovido a Marechal de Campo efectivo. A 17 de Dezembro do mesmo ano é nomeado para o comando da Praça de Elvas, que passou a acumular a 28 do mesmo mês, com o exercício das funções de Governador das Armas do Alentejo.
1814 – CARTOGRAFIA MILITAR
1814 - Castelo de Abrantes
(veja-se o subterrâneo assinalado na Casa do Governador)
(386-1-1-1 DSE CRT41/2002-DIE)
1814
JANEIRO 1: Agostinho Vaz Garcia, Capitão de Ordenanças da Freguesia de S. João Batista, que vagou por morte de Vicente Delgado Xavier 10.
JANEIRO 10: José Delgado Xavier, Capitão de Ordenanças da Companhia de Souto, que vagou pela demissão de António José Raposo 10.
FEVEREIRO 4: Falta de fardamentos para fazer face ao rigor do inverno leva grande número de sentenciados ao hospital. Caetano António de Almeida, Governador Interino da Praça de Abrantes solicita ao Ministro da Guerra, fardamentos não recebidos para o presidio da Praça de Abrantes desde 1812 11
FEVEREIRO 8: António Estevães, Capitão de Ordenanças da Freguesia de Rio de Moinhos, termo de Abrantes, que vagou pela demissão de Manuel de Oliveira Morgado 10.
FEVEREIRO 9: Manuel Lourenço, barqueiro que foi do “Arraes” Nº 412, não compareceu no Depósito Geral de Alcântara para dar conta da falta de “Arroz” que transportou para a Praça de Abrantes. Desembargador Domingos José de Carvalho indigna-se com o Juiz de Fora de Abrantes por não cumprir a ida de Manuel Lourenço ao Depósito de Alcântara 11
MARÇO 15: Nomeado para outras funções fora de Abrantes, Jose Gonzalez Bobela, Fisico Mor do Exército e médico do Hospital Militar de Abrantes, deseja continuar na Praça de Abrantes como médico territorial ao serviço do Príncipe e particulares 11
JULHO 1/15: Nestas datas são remetidas pelos comandantes dos Corpos do Exército ao Intendente Geral da Policia relações com o nome, naturalidade e idade dos homens e mulheres (não militares) que acompanharam os militares nas diferentes batalhas da Guerra Peninsular (sobre este assunto: ver nesta página anexo A) 11
JULHO 2: Por não terem respondido em Conselho de Guerra nesta Praça (Aviso de 28 de Maio), a situação dos 26 “réos” militares desertores, é justificada pelo desembargador José António de Oliveira Leite de Barros, ao Ministro Forjaz de Almeida 11.   
JULHO 23: Entre os presos militares no Castelo de Abrantes encontra-se, António Luiz da 3ª Companhia do Regimento de Artilharia Nº 1, sentenciado à pena de morte (forca), por ter desertado em tempo de guerra (30 de Julho de 1810) 11.  
JULHO 25: Caetano António de Almeida, Governador Interino da Praça, informa Conde de S. Paio não ter chegado ao Porto de Abrantes, o barco com fardamentos e equipamentos destinados aos Esquadrões de Cavalaria Nºs 6/11/12 que se encontram em Vila Velha. Caetano de Almeida refere a incerteza da viagem Lisboa/Abrantes devido à falta de água nesta época 11
JULHO 26:Ao “sol-posto” chegou ao Porto de Abrantes o barco com os fardamentos destinados aos Esquadrões de Cavalaria Nºs 6/11/12. Desembarcados os fardamentos, seguiram de imediato para Vila Velha em três carros 11
Uniformes 1814
(desenhos Carlos Ribeiro)
JULHO 27: Já no Comando da 2ª Brigada de Infantaria, Brandão de Almeida, numa carta em que solicita ao Ministro da Guerra a sua deslocação à Capital para tratamento médico, refere, ainda se achar como Governador da Praça de Abrantes 11
JULHO 30: Chega a esta Praça o Regimento de Cavalaria Nº 711
AGOSTO 3: Marchou desta Praça para Chaves o Regimento de Cavalaria Nº 9. No mapa com o itinerário é previsto o RC9 chegar a Chaves no dia 2811
AGOSTO 31: Nas diversas requisições para pagamento de géneros não fornecidos a esta Praça, vinho, sal, azeite, pão e carne, são os menos necessários no Depósito de Abrantes 11
Abrantes - Guia Rações n/fornecidas ao Reg. Cav. Nº 9
SETEMBRO 2:Ministro da Guerra ordena que o Capelão do Regimento de Cavalaria Nº 5 examine e veja se presos comuns e sentenciados estão confessados. Os que não estejam deve ser cumprido o preceito da Igreja 11
SETEMBRO 3:Nicolau António de Mello Barreto, Tenente reformado da 2ª Campanha do 5º Regimento de Cavalaria, Caserneiro do Quartel da Praça de Abrantes, requer ao Conde de S. Paio, voltar ao serviço efectivo por se achar em condições de saúde 11
SETEMBRO 8: O Regimento de Infantaria de Abrantes, desmobilizado da Guerra Peninsular regressa ao quartel 19.
SETEMBRO 10:Do Regimento de Cavalaria Nº 5 que marchou para Évora, ficou no Presidio de Abrantes o Soldado Lourenço José da Cruz, por alcunha “Castelhano”, sentenciado a morrer enforcado nesta Praça. Por não terem chegado à Praça de Abrantes os algozes requeridos pelo Brigadeiro João Lobo Brandão de Almeida em 15 de Novembro de 1813, sentença não foi executada 11
Nota: Acerca da execução acima mencionada, um documento com data de 19 de Novembro de 1813 refere manda hir pª Abrantes dois Carrascos, para se ajudarem hum ao outro, visto serem velhos, na execução do Réo 11. Um segundo documento, com data de 16 de Novembro de 1814, do Palácio do Governo, assinado por Francisco de Paulo Leite refere ter o “réo”, Soldado Lourenço José da Cruz, sido remetido da Praça de Abrantes para a Capital, para ser executado 11
SETEMBRO 26: Do Porto de Abrantes, partiram para a Capital (Lisboa), trinta presos sentenciados que vão ser entregues à disposição do Coronel Duarte José Fava 11
NOVEMBRO 3: Manuel José Raposo, Correio Assistente de Abrantes, solicita ao Subinspector dos Correios medidas eficazes para acabar com os ladrões nas estradas por onde transita o estafeta 33. 
Nota: Foi durante a Campanha Peninsular que se organizou pela primeira vez a posta militar, a qual prestou então serviços relevantes. Durante as lutas civis, até 1851, a posta militar aparece frequentemente como auxiliar valioso para o prosseguimento das operações 34. 
-No link https://coisasdeabrantes.blogspot.pt/search?q=correio pode pode ver: Abrantes – Correio do Reino – Posta de Abrantes 1808/1817.
1815
-A Irmandade dos Passos pagou pela Guarda de Honra e musica militar em Sexta-feira Santa, à noite 8.000 réis 91. 
JANEIRO 9: Por ser matéria delicada, D. Miguel Pereira Forjaz, ministro e secretário de Estado dos Negócios da Guerra, pede a João Lobo Brandão que o informe particularmente dos prejuízos causados durante a última guerra aos proprietários dos prédios demolidos ou arrasados 11
MAIO 18: António José da Cunha Salgado, 1º Tenente do Real Corpo de Engenheiros, da Praça de Abrantes participa de António Vicentinho por ilegalmente estar a construir uma casa no sítio de Vale de Judeos a 112 braças distante da obra de Stº António e a 52 braças do Reduto do dito 11
JUNHO 5: Em vista do proprietário necessitar da casa para os pais, o ex-governador da Praça de Abrantes, João Lobo Brandão de Almeida, procura arrendar uma casa decente nesta Praça. Neste documento é referido como decente a casa dos herdeiros do Doutor Rodrigo Soares, habitada por renda a Diogo da Fonseca, major reformado, pessoa das principaes de todo o distrito 11
JUNHO 20: Para as obras de Navegação do Rio Tejo, conduzidas pelo Tenente Coronel do Real Corpo de Engenharia Anastácio Joaquim Rodrigues foram utilizados explosivos do Paiol Geral de Abrantes. Uma placa com a data 1815, naquela que terá sido a casa da guarda, ainda pode ser vista no local do Paiol Geral 92+Maia.

Paiol Geral de Abrantes – Ano 1815 
(placa existente no local)

Nota: Já em 1813, para conduzir munições que o governo português precisava ter em alguns portos do alto Tejo, Anastácio Joaquim Rodrigues, Tenente Coronel do Real Corpo de Engenheiros, foi encarregado de cortar embaraços de navegação e abrir caminhos de sirga, desde Abrantes até Espanha 26. Sobre a navegabilidade do Rio Tejo ver: HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (VIII) anexo A.

JUNHO 28: Dos 310 sentenciados em trabalhos na Praça de Abrantes, 71 estão no hospital, 1 no quartel e 238 encontram-se prontos. Outros 197 presos encontram-se: final de pena 26, com menos de seis meses 123, de seis meses a um ano 46 11
JULHO 15: Ódio, rancor e falsas afirmações do Coronel Manuel Duarte José Favas, sobre as feitorias realizadas na Praça de Abrantes por Brandão de Almeida, levam este a escrever ao Ministro da Guerra. Indignado por tais acusações, Brandão de Almeida faz uma referência aos “Macçoens de Abrantes”  11
AGOSTO 28: Reparações urgentes no telégrafo em Abrantes - O General Azedo -Lisboa 28 Agosto 1815.
Participou-lhe o 1º Tenente de Engenheiros, Director das obras de Abrantes, qu o Comandante da Artilharia lhe tinha dito, que para evitar alguma desgraça desmanchasse o Telegrafo da Torre do Castelo, que está a cahir por se acharem podres as madeiras, e que já faltão algumas: e perguntava, o que devia fazer.
Azedo diz, que preciza ser autorizado para mandar remover as madeiras do dito Telegrafo supposto o estado da sua ruína […] 11


Telégrafo de Abrantes

Castelo de Abrantes
(sinal de telégrafo na planta)
SETEMBRO 12: Sem autorização superior Tem. Salgado do Real Corpo de Eng.ºs Constrói uma pequena casa próximo do reduto do forte de Santo António na Praça de Abrantes 11
OUTUBRO 10: Por Avizo de 2 de Outubro e publicado na Ordem do Dia 10, passou a comandar a Praça de Abrantes o coronel de veteranos José António Vidigal em substituição do Brigadeiro João Lobo Brandão 11
OUTUBRO 26: Para render o Ten. Salgado, chega a esta Praça, José Damasceno, Tenente do Real Corpo de Engenheiros 11
DEZEMBRO 6: Barris de aguardente destinados ao Comissariado Britânico saem de Abrantes sem guias 11
DEZEMBRO 23: João Grosmite (estrangeiro), Sargento de Cavalaria da Praça de Abrantes, expõe às entidades superiores a ideia de haver abundância de cavalos para os Corpos do Exército á semelhança da Nação Húngara e oferece os seus serviços para dirigir esses serviços 11
10 Nuno Gonçalo Pereira Borrego – Ordenanças e Milícias de Portugal.
11 AHM
19 Da Crise do Antigo Regime à Revolução Liberal 1799-1820 - Fernando de Castro Brandão - Ano 2005
26Jornal de Coimbra - Volume 4 - pág. 83
33 Doc. 4148 Ano 1814 da Fundação Portuguesa de Comunicação.
34 O Correio Origem e Progressos das Instituições Postais em Portugal, pg. 35 – Ernesto Madeira – Ano 1882.
35 Foto cedida por: Maia.
91 Doc. Diogo Oleiro
1814 - CARTOGRAFIA MILITAR - Planta Castelo de Abrantes: DIE
Anexo A
MULHERES ABRANTINAS NA GUERRA PENINSULAR
À semelhança do que se passou com as cantinières (aguadeiras), mulheres francesas a quem os regimentos davam autorização para a venda de comida, bebida e que tinham como única obrigação a de serem casadas com militares do dito regimento, também as mulheres portuguesas seguiram o exército português durante a Guerra Peninsular. 
Como resistentes da guerrilha popular, na retaguarda das batalhas, no apoio ao exército nos abastecimentos, recolha água e lenha para as fogueiras, cozinhar, lavar e coser roupa, na qualidade de esposas ou como companhia feminina durante os longos meses das campanhas, a mulher portuguesa continua ausente da historiografia da Guerra Peninsular.
                Na falta de desenhos ou reproduções da época, das “vivandeiras” portuguesas, recolhi do filme “Linhas de Wellington”, uma imagem que representa bem o trabalho das mulheres que acompanhavam as nossas tropas durante as “Invasões Francesas”. O filme foi realizado por Valeria Sarmiento, teve produção de Paulo Branco e Argumento de Carlos Saboga (fig. 1).  
fig. 1 - Vivandeiras (cantinières)
            Rara é a cidade, vila ou lugar que não glorifique um acontecimento da Guerra Peninsular, mas nunca a mulher portuguesa (fig. 2).
fig 2 -Abrantes - Jardim do Castelo
Os monumentos aos heróis da Guerra Peninsular de Lisboa e Porto são excepções por na sua concepção terem esculpido a bronze a imagem das seguidoras do exército no apoio ao combatente e esforço de guerra (fig. 3).
                 fig. 3 - Porto - Monumento aos heróis da Guerra Peninsular
Nas listas elaboradas pelos Corpos do Exército português (1814) encontram-se várias mulheres abrantinas não militares que acompanharam os exércitos. Para constarem em futuros eventos sobre a Guerra Peninsular, “ABRANTES MILITAR”, publica neste pequeno espaço a lista das mulheres naturais de Abrantes, Aldeia do Mato, Punhete=Constância, Gavião e Sardoal, que com coragem, seguiram os militares nas campanhas peninsulares11:
Guerra Peninsular mulheres (não militares), de Abrantes/Punhete/Gavião/Sardoal/Aldeia do Mato que acompanharam os Exércitos  
Homens/Mulheres
Naturalidade
Idade
Observações
Angelina Rosa
Abrantes
26
Pertence tambor 
Maria do Carmo
Abrantes
30
Casada com tambor 
Theresa de Matta
Abrantes
39
Casada com soldado 
Francisca Maria
Abrantes
28
Casada 
Ana Rodrigues
Abrantes
20
Pertence soldado 
Ana Maria
Abrantes
24
S/anotação
Maria Clara
Abrantes
23
S/anotação
Maria José
Abrantes
25
Casada 
Maria Brozia
Abrantes
20
Anexa ao Regimento Nº 11 
Maria Rosa
Abrantes
22
Viúva sargento. António José falecido 27FEV1814 Baiona 
Maria de  Sarey
Aldeia do Mato
21
Seguidora do Exército 
Isabel de Ferces
Punhete
31
Pertence soldado 
Martta Joaquina
Gavião
25
Pertence Sargento 
Maria Leitão
Gavião
24
Pertence a soldado 
Joaquina Rosa
Sardoal
20
Casada com tambor-mor 
Maria da Asumpção
Sardoal
39
Pertence soldado do Regimento Cavalaria Nº 6 
            Por interesse histórico, publica-se o nome dos homens (não militares), naturais de Abrantes, Rio de Moinhos, Sardoal, Vila de Rei e Mação que acompanhara e serviram os Regimentos de Infantaria e Batalhões de Caçadores durante as campanhas, nas mais diversas funções 11
Guerra Peninsular - Homens (não militares), de Abrantes/Sardoal/Vila de Rei/Rio de Moinhos/Mação que acompanharam os Exércitos  
Homens/Mulheres
Naturalidade
Idade
Observações
José António (condutor)
Abrantes
27
Veio do Exército Britânico 
José da Moutta (criado)
Abrantes
14
Veio do Exército Britânico 
José Pinto (servindo na tropa)
Abrantes
12
S/outra anotação
José d’Abrantes (bagageiro)
Abrantes
28
Idem
João Agnes (criado de serviço)
Abrantes
11
Idem
José Montes (Alfaiate)
Abrantes
19
Idem
Luis Marques
Abrantes
18
Idem
António Martins (bagageiro da pólvora)
Abrantes
33
Idem
António de Oli…(!)
Rio Moinhos
(!)
Idem
Mauricio d’…(!)
Sardoal
21
Idem
Francisco António Aparicio (bagageiro)
Vila de Rei
27
Idem
Francisco Serafim (criado)
Mação
31
Veio do Exercito Britânico 
         Sobre o papel das mulheres durante as Invasões Francesas e a tomada de Abrantes (17 de Agosto de 1808), um artigo escrito no ”Boletim Cultural do CIRA", com o título “Figuração da mulher na Guerra Peninsular – Contributo para a história de Género”, Graça Soares Nunes, diz-nos:

(Cira – Boletim Cultural 11 – 2011-2013– Graça Soares Nunes – pg 128)